Trato iliotibial e Corrida

Continuando a série de textos falando sobre lesões, hoje vamos falar sobre uma das mais recorrentes entre os corredores e nesse texto vamos tentar responder algumas perguntas: “o que é esse tal de trato iliotibial?”, “me lesionei, o que eu faço?”, “como posso evitar essa lesão?”.

Muitos corredores já sentiram dor na lateral do joelho, principalmente quando aumentam o volume de repente e correm uma distância não programada ou quando treinam dias seguidos de forma repentina. A banda iliotibial (BIT) ou trato iliotibial é um espessamento lateral do músculo tensor da fáscia lata, na coxa, sendo geralmente vista como uma banda de tecido conjuntivo fibroso denso que passa através do epicôndilo femoral lateral e se insere no tubérculo de Gerdy no aspecto ânterolateral da tíbia. Talvez não seja a forma mais fácil de explicar o que é o trato, mas acreditamos que usar as nomenclaturas certas é a melhor forma dentro do processo de entendimento sobre o que acontece com o seu corpo.

Tá, mas e aí? Porque começa a doer de repente? A síndrome do trato, como é conhecida essa lesão, é decorrente de uma fricção ou compressão excessiva na região de inserção do tecido, ali do lado do joelho, um pouquinho mais para baixo. Alguns estudos afirmam que essa lesão corresponde a mais de 10% das lesões entre corredores e ciclistas. Os fatores para o início são os mais diferentes, como citamos acima o volume de treino repentino é um deles, mas outros fatores são bem significativos, como relação entre largura e inclinação da pelve, comprimento do fêmur, valgismo exagerado, diferença de membros, alterações na marcha, fraqueza muscular entre outras.

Não podemos alterar a estrutura de nossos corpos, as mulheres por exemplo, tem chances maiores de desenvolver devido o ângulo entre o quadril e o joelho propiciar o desequilíbrio entre os músculos. Até a forma do pé pode interferir em como a musculatura irá será sobrecarregada ou não.

galeria_d0078ab2bb8bea8bbf64ea8789d2c019Então, o que fazer? Existem as mais diferentes formas de atuar para evitar essa síndrome. Fortalecer e alongar os músculos do quadril é uma forma. O glúteo médio é um grande auxiliar para evitar o valgo dinâmico durante a corrida, então é uma das musculaturas que devem receber grande atenção, na foto ao lado vocês podem ver um agachamento sendo feito com minibands posicionados em lugares estratégicos, o exercício pode ser dinâmico ou isométrico, em outros posts vamos abordar isso.

A liberação miofascial é uma técnica muito usada no processo de prevenção, mas também no processo de reabilitação pois ajuda e muito a deixar o tecido menos rígido e a facilitar o movimento. Fazer compressa com gelo é muito eficiente também, tome cuidado com o contato da garrafinha com gelo na pele e faça 10 minutos, duas vezes ao dia, isso ajudará muito no processo de redução da inflamação.

Foam-roller-IT-band

Claro que cada caso é um caso e fazer uma avaliação junto a um educador físico ou fisioterapeuta, dependendo do momento em que você está, é de grande importância para que a conduta seja ajustada de acordo com a necessidade.

Bons treinos.

Emidio Peres
Personal e Idealizador do Núcleo Salutem
Formado em Educação Física, pós graduado em gestão de marketing, reabilitação cardíaca e pós graduando em reabilitação de lesões.

cropped-logotipo-nc3bacleo-salutem.jpg

Deixe uma resposta