Como se preparar na corrida

A cada ano mais e mais pessoas aderem a corrida como prática esportiva, um indicador disso é o número de participantes em provas de corrida de rua que existem pelo Brasil, nos últimos 5 anos o aumento foi de cerca de 50% em todo Brasil. É claro que com o número crescente de pessoas correndo o número de lesões aumentou, porém se temos todos os dias acesso a informação por que ainda nos machucamos tanto?

Um trabalho bem interessante de 2016 por um grupo de pesquisadores de Santa Catarina apresentou alguns dados sobre o índice de lesões na corrida através de uma revisão sistemática de artigos científicos sobre o tema, onde a maioria dos entrevistados ficaram afastados da corrida de rua por tendinopatias, distensões e a região de maior incidência foi o joelho. Leia o artigo completo aqui.

Existe uma velha premissa de que na corrida você simplesmente calça um tênis e sai correndo, isso não é verdade. A corrida é uma atividade de impacto, imagine você que a cada passo você coloca de 3 a 7 vezes o seu peso corporal em cada perna dependendo da velocidade que corre. Só esse dado já seria justificativa suficiente para você manter seu corpo forte sempre, mas além disso, para onde vai essa carga toda? Uma das estruturas que é projetada naturalmente para receber carga é a coluna. As vértebras, os discos entre elas e a sua curvatura em forma de “s” está ali para distribuir a carga e evitar que você se machuque. Então vem outra pergunta, suas costas estão prontas para isso? Você passa metade do seu dia sentado trabalhando, com uma postura errada e ainda tem o centro do seu corpo forte, você realmente acredita que está pronto para sair correndo?

Métodos de Fortalecimento

Existem diversas formas de você preparar seu corpo e cada uma tem sua vantagem. Vou citar como exemplo 3 delas: treinamento funcional, musculação e Pilates. A musculação clássica é uma forma excelente de trabalhar a sobrecarga e consequentemente o fortalecimento para outras atividades, a desvantagem é que essa modalidade é composta em sua maioria por movimentos em máquinas, segmentados e impossibilitam seu corpo de trabalhar em toda sua potencialidade. Dentro do Pilates existem diversas formas de trabalho, você pode trabalhar ele nos aparelhos clássicos ou no solo com ou sem materiais. É uma excelente opção para o ganho de fortalecimento abdominal, mobilidade articular e a melhora de postura, porém você fica limitado a essas questões e não irá melhorar o rendimento esportivo em toda sua extensão.

Se a gente for pensar no melhor desses mundos temos o treinamento funcional, que entende e vê o seu corpo como uma unidade maior, que pode e deve executar movimentos em diferentes planos, que pode executar diferentes tipos habilidades motoras e pode desenvolver todas as capacidades físicas de forma mais integrada. Em uma sessão de treino funcional você pode trabalhar a mobilidade articular, fortalecimento do core, educativos para corrida, fortalecimento específico e ganho de potência para a modalidade.

Conclusão

Todas essas formas são métodos de prevenção para você diminuir o índice de lesões, mas nada disso dará certo se você achar que pode sair correndo como se não houvesse amanhã e forçar o ritmo em todo treino, correr distâncias que não estão programadas ou colocar provas demais em seu calendário. Como qualquer coisa na sua vida, deve haver planejamento.

Nos próximos textos vamos abordar mais sobre os tipos de lesões mais comuns na corrida e o tempo de afastamento/recuperação em cada situação.

Bons treinos.

Emidio Peres
Personal e Idealizador do Núcleo Salutem
Formado em Educação Física, pós graduado em gestão de marketing, reabilitação cardíaca e pós graduando em reabilitação de lesões.

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